HISTÓRICO ASAS / OPOCA
HISTÓRICO INSTITUCIONAL
UMA UTOPIA CRÍTICA E COTIDIANA DA VIDA
SOBRE ASAS / OPOCA
Fundada em 2002, a ASAS é responsável pela construção do Pronto Atendimento Médico do município de São Miguel Arcanjo, prédio atualmente utilizado pela Secretaria Municipal de Saúde. Com a formação do Movimento Capital Juvenil em 10 de junho de 2010, iniciam as suas ações em defesa dos direitos humanos e sociais através de um trabalho de organização em comunidade que atua com o objetivo de criar alternativas às violências culturais, econômicas e sociais que enfrentam a infância, a juventude e suas famílias em São Miguel Arcanjo.
ATUAÇÃO EM REDE
Este trabalho foi responsável por implementar em 2013, através do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o Programa de Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Ministério do Desenvolvimento Social. Ainda em 2013 deu início e acompanhou com o Ministério Público o processo que instituiu o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), e, paralelamente, criou o Programa SMA e a Juventude e o Projeto Cidade Escola com um conjunto de ações culturais, educacionais e sociais protagonizado pela comunidade envolvida.
Em 2016 realizou, via Poder Público, a reforma de dois espaços públicos abandonados que ficaram conhecidos como Casa Amarela e Casa Azul. Nestes locais, em articulação com as Secretarias/Coordenadorias de Educação, de Assistência Social, de Cultura e de Meio Ambiente, foram desenvolvidos projetos sócio-assistenciais, educacionais, culturais e ambientais que envolviam cerca de 200 crianças, jovens e suas famílias de um dos territórios mais castigados da cidade, o bairro Jardim São Carlos.
Em 2019 a ASAS fundou o Observatório Popular Cidade do Anjo (OPOCA) e teve a sua sede, a Casa OPOCA, reconhecida pelo Ministério de Cultura como Ponto de Cultura.
RELEVÂNCIA PÚBLICA E SOCIAL
O OPOCA/ASAS se desenvolve como um trabalho intergeracional que envolve crianças, jovens, suas famílias, especialmente mães, e comunidades tanto na organização da Instituição, na elaboração e no desenvolvimento de seus projetos e atividades, quanto na busca por direitos humanos fundamentais, como o direito à moradia, à alimentação, à cultura, à educação. O trabalho de organização em comunidade para a realização e desenvolvimento das suas atividades é uma parte fundamental das ofertas sócio-assistenciais da Instituição porque cria, fomenta e fortalece a participação popular, o acolhimento, o cuidado e o convívio promovendo a diminuição de tensões intrafamiliares, extrafamiliares e comunitárias, a busca por direitos e a diminuição dos riscos sociais, enquanto atua pela execução das ações do coletivo.
De 2013 a 2019 a Instituição foi o conteúdo de pesquisa acadêmica que resultou na tese de doutorado A Vida Delas e Deles, a Nossa, na Cidade do Anjo: uma utopia crítica pós-colonial das gentes do cotidiano, de Tiago Miguel Knob, realizada no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. A pesquisa desenvolveu a metodologia e a pedagogia de ação do OPOCA; realizou uma crítica ética à realidade são-miguelense e instituiu o Observatório Popular Cidade do Anjo como uma alternativa factível e real às violências e desigualdades sociais, se integrando a redes de organizações nacionais e internacionais que atuam em suas distintas frentes pela afirmação da dignidade humana.
Desde 2013, a ASAS/OPOCA tem se dedicado à formação de jovens da periferia de São Miguel Arcanjo, visando ao ingresso no ensino superior. Por meio de iniciativas como cursinhos populares, rodas de estudos e acompanhamento pedagógico, mais de uma dezena de jovens tornaram-se os primeiros de suas famílias a ingressar em universidades públicas e privadas. Esse processo não apenas transforma trajetórias individuais, mas também impacta positivamente suas comunidades, promovendo a valorização da educação e a quebra de ciclos de exclusão social.
Em 2023, o OPOCA/ASAS, em parceria com o Quilombo Mandinga, fundou o Movimento Utopias, iniciando um processo de regionalização de sua atuação, promovendo encontros e atividades com organizações de diferentes cidades com o objetivo de desenvolver pesquisas e ações em rede para o aprofundamento comum das ações.
Neste ano, com financiamento da Prefeitura Municipal, também atuou na garantia dos direitos da infância e da juventude local através do fortalecimento da Rede Municipal de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente” com o Projeto “Nenhuma Criança e Nenhum Adolescente a Menos”, em parceria com o Núcleo de Estudos, Pesquisa, Extensão e Assessoria sobre Infância e Adolescência (NEPIA), da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais (PROEX), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Como um dos resultados desse esforço, através do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), foi instituído o Comitê de Gestão Colegiada da Rede de Cuidado e Proteção Social das Crianças e Adolescentes de São Miguel Arcanjo.
Em 2024 destaca-se o início do Projeto “Feira Cultural Colaborativa ECOA: circuito integrado de formação e difusão cultural”. As Feiras ECOA, juntamente com as ações do “Sons na Cidade”, constituem momentos de culminância dos processos formativos desenvolvidos ao longo do projeto, promovendo a circulação das produções culturais, a valorização de artistas locais e o fortalecimento da economia criativa no território. Os eventos configuram-se como espaços de encontro, visibilidade e troca, em que as experiências construídas no OPOCA e em suas articulações locais e regionais, ganham dimensão pública, envolvendo formação contínua, expressão artística, geração de renda e participação comunitária.
Em 2025 o Observatório Popular Cidade do Anjo fundou o Cursinho Popular OPOCA, uma iniciativa voltada à democratização do acesso ao ensino e à preparação de estudantes para o ingresso no ensino superior, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. Construído em parceria com a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), um Programa do Ministério da Educação do Governo Federal, o projeto fortalece o acesso à educação ampliando oportunidades para a juventude do território.
PROGRAMAS, PROJETOS E AÇÕES 2026
Em 2026, o OPOCA desenvolve um conjunto integrado de programas, projetos e ações que articulam cultura, educação, pesquisa, participação popular, sustentabilidade e organização comunitária. Nascidas das experiências, necessidades e possibilidades dos territórios, essas iniciativas buscam fortalecer vínculos, produzir conhecimentos, ampliar direitos e construir alternativas capazes de afirmar a dignidade humana, ecológica e comunitária.
[NNM] Programa Nenhuma e Nenhum a Menos
Desenvolve ações voltadas à proteção, ao cuidado e ao desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens. Atua por meio da cultura, da educação, da pesquisa, da participação popular e da articulação em rede para enfrentar as diversas formas de violência que afetam as juventudes e seus territórios.
[ECOA] Feira ECOA
Espaço permanente de encontro, convivência, circulação cultural e fortalecimento da economia local. Integra cultura, arte, agroecologia, artesanato, alimentação, economia solidária e participação comunitária, promovendo a valorização dos saberes, fazeres e produções do território.
[FÊNIX] Psicologia, escuta e cuidado
Projeto voltado à construção de caminhos de cuidado, fortalecimento de vínculos e reconstrução de trajetórias de vida. Atua por meio de atendimentos individuais e em grupo, ações comunitárias, processos de escuta e acompanhamento psicossocial, contribuindo para a promoção da saúde mental, a superação de situações de vulnerabilidade e a ampliação das possibilidades de vida. Desenvolvido pelas psicólogas do OPOCA em articulação com as famílias, comunidades e redes de proteção, o projeto reconhece o cuidado como uma prática coletiva de afirmação da dignidade humana.
[CPO] Cursinho Popular OPOCA
Iniciativa de democratização do acesso ao ensino superior que oferece formação preparatória para vestibulares e ENEM, fortalecendo oportunidades educacionais para jovens e adultos e contribuindo para a ampliação do direito à educação.
Rede Caipira para Sustentabilidade
Articulação comunitária voltada ao fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e das economias locais. Por meio da produção compartilhada de conhecimentos, do consumo responsável, da compra e da doação de alimentos agroecológicos, promove circuitos solidários capazes de fortalecer agricultores, ampliar o acesso a alimentos saudáveis e contribuir para a construção de comunidades mais sustentáveis. A Rede Caipira integra cuidado, soberania alimentar, desenvolvimento territorial e valorização dos saberes do campo. A Rede Caipira aproxima quem produz, quem cuida e quem se alimenta, fortalecendo os vínculos entre campo, cidade e comunidade.
Cozinha da Casa
Espaço de encontro, cuidado e convivência que reconhece a alimentação como prática cultural, educativa e comunitária. Por meio da partilha de alimentos, dos saberes culinários e da cultura alimentar, fortalece vínculos, produz conhecimentos e afirma a vida comunitária.
[DEMOCRACIA E DIREITO À CIDADE] Incidência em Polícias Públicas
Ação permanente voltada ao fortalecimento da participação popular, do controle social e da construção democrática das políticas públicas. Por meio da atuação em conselhos municipais, fóruns, redes, comissões, pesquisas e espaços de articulação comunitária, o OPOCA contribui para a produção compartilhada de conhecimentos, a ampliação da participação cidadã e a construção de alternativas para os desafios do território. Atualmente, participa da Rede Municipal de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Conselho Municipal de Políticas Culturais, do Conselho Municipal de Meio Ambiente e de diferentes espaços de incidência e diálogo com a sociedade civil e o poder público, fortalecendo a democracia e o direito à cidade.
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